Venho falar agora de um tema que me ocupou o pensamento durante grande parte das férias de Verão.
É um facto que, neste momento, Medicina é dos cursos que mais garantias oferece quanto à empregabilidade e quanto a uma remuneração futura suficiente para assegurar uma boa qualidade de vida. Face a estas características, criou-se, na sociedade actual, o estigma de que os bons alunos têm de ingressar, quase obrigatoriamente, no curso de Medicina.
Devido aos meus bons resultados académicos, também eu fui alvo desta pressão. Durante as semanas que antecederam a minha candidatura ao ensino superior, muitas foram as tentativas de persuasão. Apontavam-me a garantia de um bom futuro, dando menos importância a quaisquer outros pontos que pudessem entrar na ponderação do curso a seguir.
A investida foi de tal forma intensa que acabei por ceder parcialmente. Duvidei da minha escolha (Engenharia Biomédica), abstraí-me de qualquer pressão e tentei pensar por mim. Comecei do zero, como se ainda não soubesse que curso escolher, e voltei a pesquisar todas as informações que iriam auxiliar a minha decisão. Muitos foram os pesos que coloquei nos pratos da balança, mas os meus gostos e convicções pessoais acabaram por fazer pender a balança para o lado da escolha inicial.
Antes de ter ponderado tudo de novo, senti-me confuso, sem saber o que fazer. Por um lado, queria seguir aquele curso que me iria realizar pessoalmente. Por outro, não queria desiludir aqueles que me rodeiam, e também não tinha ficado alheio às garantias futuras.
No entanto, por vezes é preciso ter sangue frio para tomar certas decisões importantes. Agora que já estou integrado no meu curso, sei que fiz a escolha certa. Não sei como será o futuro, mas tudo indica que não me irá penalizar.
Isto tudo para concluir que, por maiores que sejam as pressões, a escolha certa é, na maior parte dos casos, aquela que é feita por nós e não pelos outros, uma vez que, para a termos feito, muito raciocínio mental teve de ser levado a cabo e muitos factores foram tidos em conta. Ainda assim, nunca é de descurar a opinião dos outros, uma vez que esta nos leva a reflectir e a tomar decisões baseadas num maior número de parâmetros.
Também pretendo transmitir a ideia de que um bom aluno não tem de seguir, obrigatoriamente, o curso de Medicina. No entanto, é certo e sabido que a maior parte o faz, quer por gostos pessoais, quer pelo elitismo que a sociedade portuguesa criou à sua volta.
Quanto aos primeiros, não tenho nada contra, uma vez que acabam por seguir o curso dos seus sonhos e, assim, mais facilmente terão sucesso e melhor se sentirão consigo próprios.
Já os segundos encontram-se numa situação diferente. Esses indivíduos deixam-se levar por pressões externas que mais tarde se irão revelar elos fundamentais na destruição de uma felicidade genuína em detrimento de um futuro garantido e de uma boa qualidade de vida, acabando a sua escolha por não ser a certeira (é claro que, como em tudo na vida, existem excepções).
Muitos podem perguntar se eu teria média suficiente para ingressar em Medicina e, desta forma, se era legítimo considerar todas as possibilidades na escolha do curso no qual iria ingressar. A verdade é que na altura da candidatura pensava que sim, e como tal resolvi colocar Medicina nas minhas terceira e quarta opções de candidatura, apenas para satisfazer a vontade daqueles que gostavam que eu tivesse colocado esse curso como primeira opção.
Divulgadas as colocações, fiquei feliz por saber que, se tivesse colocado Medicina em primeiro lugar, teria entrado (tanto em Lisboa como no Porto). No fundo, teria entrado em qualquer curso que tivesse colocado em primeira opção, uma vez que a minha média de candidatura assim o permitia.
Apesar disso, o que me fez verdadeiramente feliz foi saber que tinha ficado colocado no curso que colocara em primeira opção: Engenharia Biomédica no IST.
Sinto-me/Estou:

Feliz